O que a pesquisa revelou
Um levantamento do Portal de Compras Públicas, realizado entre 5 e 31 de agosto de 2026 com 365 empresas cadastradas na plataforma, trouxe um retrato preocupante sobre a prontidão de quem vende para o setor público. Um levantamento realizado pelo Portal de Compras Públicas revela que 80% dos fornecedores do governo não têm compreensão total de como as novas regras do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da CBS afetarão a formação de preços. Apenas 20% afirmam ter clareza total sobre os impactos do novo modelo tributário.
O detalhamento por nível de entendimento é ainda mais revelador: 32,6% disseram entender as mudanças parcialmente, enquanto 29,6% afirmaram não compreender seus efeitos e 17,8% admitiram desconhecer os detalhes da nova legislação.
Formação de preços é o maior obstáculo
Entre os desafios listados pelos respondentes, a questão de precificação lidera com folga. Questionadas sobre os principais obstáculos à adaptação, 38,9% das empresas apontaram a revisão da formação de preços, enquanto 24,1% citaram a adequação de sistemas e processos fiscais. Como consequência direta, 63,9% dos fornecedores preveem que a nova sistemática provocará aumento nos preços oferecidos ao setor público.
O cenário fica mais delicado para empresas de menor porte. O levantamento também indica que boa parte dos fornecedores acredita que a reforma tornará a participação em compras públicas mais complexa para pequenas e médias empresas, com uma fatia relevante esperando que esse processo fique "muito mais complexo". Diante disso, não é surpresa que 65,7% dos entrevistados pretendem buscar apoio externo para atravessar a transição.
Por que isso é mais urgente do que parece
O prazo não é distante. A proximidade da entrada em vigor da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista para janeiro de 2027, ainda gera dúvidas entre empresas que fornecem produtos e serviços ao setor público. A CEO do Portal de Compras Públicas resume o risco de forma direta: "Quem não se preparar agora corre o risco de perder margem ou competitividade", já que contratos assinados sem cláusula de ajuste tributário podem consolidar valores defasados por até 12 meses.
A própria pesquisa orienta o caminho prático: a recomendação do Portal de Compras Públicas é que os fornecedores antecipem simulações de preços com a CBS e o IBS e mapeiem precocemente a necessidade de aditivos nos contratos ativos.
O que times fiscais e de TI devem revisar agora
Para quem atua em fiscal, contábil ou TI dentro de empresas que vendem ao setor público — ou que simplesmente precisam recalcular preços sob a lógica do cálculo "por fora" — alguns pontos merecem atenção imediata:
- Simular o preço final considerando IBS e CBS destacados separadamente, sem simplesmente somar um percentual fixo ao valor atual;
- Mapear contratos de longo prazo e registros de preços vigentes que precisarão de aditivo antes da virada para 2027;
- Verificar se o ERP e o emissor de documentos fiscais já calculam corretamente os créditos de IBS/CBS por item, essenciais para a formação de preço líquido;
- Envolver fiscal, compras, comercial e TI num mesmo grupo de trabalho, já que a formação de preço deixou de ser tarefa isolada do departamento tributário;
- Rever planilhas de custo usadas em propostas de licitação, considerando a possibilidade de reequilíbrio econômico-financeiro previsto em lei para contratos já assinados.
Vale lembrar que, em 2026, as alíquotas de teste de CBS e IBS seguem baixas e o recolhimento é dispensado para quem cumpre corretamente as obrigações acessórias — mas isso não dispensa a simulação de preços para 2027, quando a cobrança da CBS passa a valer de fato.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação da sua equipe contábil, que deve avaliar o impacto específico de cada contrato e regime tributário.
Se a sua empresa fornece para o setor público ou simplesmente precisa organizar a formação de preços diante da reforma tributária, fale com a Edoo e entenda como preparar sua operação fiscal para 2027.
IBS e CBS nas licitações: pesquisa mostra que 80% dos fornecedores do setor público ainda não sabem precificar para 2027